Até Que...





A Alegria de viver - Thomas Traherne

A alegria de viver jamais é completa

até que todas as manhãs despertes no Céu
vendo a ti mesmo no palácio do Pai
mirando os céus, e terra e o ar como dádivas celestiais
e tudo contemplando com reverente estima,
como se estivesses entre os anjos.
A noiva do monarca na câmara nupcial
não tem tantos motivos de prazer como tu.

Jamais fruirás plenamente a delícia da vida
até que o próprio mar flua em tuas veias
até que estejas vestido com os céus e coroado de estrelas
e percebas a ti mesmo como sendo o único herdeiro de todo o Universo
e mais que isso, 
pois todos os homens que nele estão são seus herdeiros,
tanto como tu.
Até que possas cantar, regozijar-te e deleitar-se em Deus,
assim como os avarentos com o ouro 
e os reis com seus cetros,
jamais poderás sentir a alegria de viver.

Até que teu espírito encha todo o Universo
e que as estrelas sejam tuas jóias
até que te sejam tão familiares os caminhos de Deus em todas as idades,
assim como a mesa onde te sentas
até que estejas intimamente ligado àquele "nada" nebuloso
do qual todo universo é feito
até que ames os homens desejando sua felicidade
com uma sede igual ao zelo que sentes por ti mesmo,
até que te regozijes em Deus
 por ser bom para todos,
jamais amarás a vida.

Até que tu a sintas mais que tuas posses,
e a percebas mais presente no hemisfério,
considerando as belezas que lá estão,
do que na tua própria casa,
até que te lembres quão tarde foste 
e quão maravilhoso foi quando chegou a Ele,
e sintas mais júbilo no palácio da tua glória,
como se ele estivesse sido feito hoje pela manhã.

Além disso, jamais amarás plenamente a vida 
até que ame a beleza de gozá-la,
até que estejas ardente e sequioso de persuadir os outros
a amá-la também.
E desta forma odiar totalmente a abominável corrupção
humana que despreza essa possibilidade,
pois preferirás sofrer as chamas do inferno a, 
voluntariamente seres culpado dos seus erros

O universo é um espelho da Beleza Infinita
porém o homem não o vê.
É um templo da majestade,
mas o homem não o olha.
É uma região de luz e Paz,
se o homem não a perturba.
É o paraíso de Deus.

É muito mais para o homem depois de sua queda do que antes.
É o lugar dos anjos e o portal do céu.
Quando Jacó despertou de seu sonho, ele disse:
"Deus está aqui, e eu não o sabia."
Como é sublime esse lugar!
Nada mais é que
a casa de Deus e o Portal do Céu.

Em: A Filosofia Perene - Aldous Huxley



Paramahansa Yogananda - Samadhi

  


Samadhi 

Levantados os véus de luz e sombra,Evaporada toda a bruma de tristeza,Singrado para longe todo o amanhecer de alegria transitória,Desvanecida a turva miragem dos sentidos.
Amor, ódio, saúde, doença, vida, morte:Extinguiram-se estas sombras falsas na tela da dualidade.
A tempestade de maya serenouCom a varinha mágica da intuição profunda.
Presente, passado, futuro, já não existem para mim,Somente o Eu sempiterno,  onifluente, Eu, em toda parte.
Planetas, estrelas, poeira de constelações, terra,Erupções vulcânicas de cataclismos do juízo final, A fornalha modeladora da criação,Geleiras de silenciosos raios X,dilúvios de elétrons ardentes, Pensamentos de todos os homens, pretéritos,presentes, Futuros,
Toda folhinha de grama, eu mesmo, a humanidade,Cada partícula da poeira universal,Raiva, ambição, bem, mal, salvação, luxúria,
Tudo assimilei, tudo transmuteiNo vasto oceano de sangue de meu próprio Ser indiviso.
Júbilo em brasa,freqüentemente abanado pela meditação,Cegando meus olhos marejados,Explodiu em labaredas imortais de bem-aventurança,Consumiu minhas lágrimas, meus limites,meu todo.
Tu és Eu, Eu sou Tu,
O Conhecer, o Conhecedor, o Conhecido,unificados!
Palpitação tranqüila,ininterrupta, Paz sempre nova,
Eternamente viva.
Deleite transcendente a todas as expectativas da imaginação, Beatitude do Samadhi!
Nem estado inconsciente,Nem clorofórmio mental sem regresso voluntário, Samadhi 
Amplia meu reino conscientePara além dos limites de minha moldura mortalAté a mais longínqua fronteira da Eternidade, Onde Eu, o Mar Cósmico,Observo o pequeno ego flutuando em Mim.
Ouvem-se, dos átomos, murmúrios móveis; A terra escura, montanhas, vales são líquidos em fusão!
Mares fluidos convertem-se em vapores de nebulosas! Om 
sopra sobre os vapores, descortinando prodígios.
Mais além,Oceanos desdobram-se revelados, elétrons cintilantes, Até que ao último som do tambor cósmico,Transfundem-se as luzes mais densas em raios eternosDe bem-aventurança que em tudo se infiltra.
Da alegria eu vim, para a alegria eu vivo, na sagrada alegria,Dissolvo-me.
Oceano da mente; bebo todas as ondas da criação. Os quatro véus do sólido, líquido, gasoso, e luminoso,Levantados.Eu, em tudo, penetro no Grande Eu.
Extintas para sempre as vacilantes,tremeluzentes sombras,Das lembranças mortais:Imaculado é meu céu mental 
– abaixo, à frente e bem acima;Eternidade e Eu, um só raio unido.
Pequenina bolha de riso,eu,Converti-me no próprio Mar da Alegria!    Paramahansa Yogananda 

Lembre-se

                                            

                                            Por que te preocupas sem motivo?
A quem temes, sem razão?
Quem poderia te matar?
A alma não nasce, nem morre.

Qualquer coisa que aconteça,
Acontecerá para seu bem;
O que está acontecendo,
Está acontecendo para o seu bem;
O que vai acontecer,
Também acontecerá para o bem.

Não deves lamentar pelo passado.
Não deves te preocupar com o futuro.
O presente está acontecendo ...
Que perda te faz chorar?

Que trouxestes contigo,
E que achas que perdeste?
O que produzistes,
O que achas que foi destruído?

Não destes nada,
Não trouxestes nada contigo,
qualquer coisa que possuas, recebestes aqui.

Qualquer coisa que tomastes, foi tomada de Deus.
Tudo o que seja que tenham te dado, Ele te deu
Chegastes de mãos vazias,
E voltaras de mãos vazias.

Tudo que tens hoje,
pertencia a outra pessoa ontem, 
e pertencerá a outra no dia de amanhã.
Erradamente desfrutastes da idéia
que isso te pertence.

É esta falsa felicidade
a causa de seus sofrimentos.

A mudança é a lei do universo.
O que tu consideras como morte,
É, na realidade, a vida.

Em qualquer momento tu podes
ser um milionário
e, no seguinte, podes
cair em pobreza.

Teus e meus, grandes e pequenos
Apagues essas idéias de tua mente.
Então, tudo te pertencerá e
todos serão donos.
Esse corpo te pertence,
Também tu não és desse corpo.

O corpo é feito de fogo, água, ar, terra e éter,
E retornará pára esses elementos.
Mas a alma é permanente - então quem és tu?
Dediques teu ser a Deus.
Ele é o único em quem se deve confiar.
Aqueles que conhecem esta verdade são para sempre
livres do medo, preocupação e dor.

Aconteça o que acontecer,
Faças como uma oferta a Deus.
Isso te levará
A experimentar da
alegria, da liberdade e da vida para sempre.

(Tradução Wilmar)


BHAGAVAD GITA- A CANÇÃO DIVINA DE DEUS.
as vidas diária...

Olhai os Lírios do Campo




OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO 


Olhai os lírios do campo... Como são belos Quando a manhã nasce No coração dos homens... Olhai os lírios do campo... Tão alvos, Tão castos, Tão puros, E procurai imita-los 

Em tudo que fizerdes, Em tudo que virdes, Em tudo que beijardes... Olhai os lírios do campo... Como são felizes Quando dormem resignados Nos dias úmidos do inverno triste... Olhai os lírios do campo... Como são felizes, Como são castos, Como são bons Quando escrevem na “Vida” O poema da “Inocência”... 

Fonte:  Mário Souto. Meus poemas diferentes. Recife: Geração, 1938. p. 1.


Há um beijo que desejamos toda a nossa vida,O toque do espírito no corpo.A água do mar implora á pérola para que ela rompa sua concha.E o lírio, quão apaixonadamente ele precisa de algum querido companheiro selvagem.À noite, abro a janela e peço para a lua vir e apertar seu rosto contra o meu. Respirar dentro de mim.Feche a porta da linguagem e abra a janela do amor. A lua não usará a porta, somente a janela.

Rumi -Quatro poemas




"Estive pensando muito na fúria cega com que os homens se atiram à caça do dinheiro. É essa a causa principal dos dramas, das injustiças, da incompreensão da nossa época. Eles esquecem o que têm de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve construir arranha-céus se não há mais almas humanas para morar neles?
É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza. Precisamos, entretanto, dar um sentido humano às nossas construções. E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.
Há na terra um grande trabalho a realizar. É tarefa para seres fortes, para corações corajosos. Não podemos cruzar os braços.
É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência, e sim com as do amor e da persuasão.
Quando falo em conquistas, quero dizer a conquista duma situação decente para todas as criaturas humanas, a conquista da paz digna, através do espírito de cooperação."

Érico Veríssimo In Olhai os Lírios do Campo

Olhai os Lírios do Campo


A carta de Olívia a Eugênio

Um dos livros  escrito por Érico Veríssimo. "Olhai os lírios do campo"    há uma grandiosidade, uma generosidade, uma sensibilidade  que hoje poucos sentem. É uma expressão de fé na vida, nas pessoas, a fé


"Meu querido: o Dr. Teixeira Torres acha que a intervenção deve ser feita imediatamente e daqui a pouquinho tenho que ir para o hospital. Não sei por que me veio a idéia de que posso morrer na mesa de operações e aqui estou te escrevendo porque não me perdoaria a mim mesma se fosse embora desta vida sem te dizer umas quantas coisas que não te diria se estivesse viva.



Há pouco sentia dores horríveis, mas agora estou sob ação da morfina e é por isto que encontro alguma tranqüilidade para conversar contigo. Mas estarei mesmo tranqüila? Acho que sim. Decerto é a esperança de que tudo corra bem e que daqui a quinze dias eu esteja de novo no meu quarto, com a nossa filha, e meio rindo e meio chorando venha reler e rasgar esta carta, que então me parecerá muito tola e ao mesmo tempo muito estranha.



Quero falar de ti. Lembra-te daquela tarde em que nos encontramos nas escadas da faculdade? Mal no conhecíamos, tu me cumprimentaste com timidez, eu te sorri um pouco desajeitada e cada qual continuou o seu caminho. Tu naturalmente me esqueceste no instante seguinte, mas eu continuei pensando em ti e não sei por que fiquei com a certeza de que ainda haverias de ter uma grande, uma imensa importância na minha vida. São pressentimentos misteriosos que ninguém sabe explicar.



Hoje tens tudo quanto sonhava: posição social, dinheiro, conforto, mas no fundo te sentes ainda bem como aquele Eugênio indeciso e infeliz, meio desarvorado e amargo que subia as escadas do edifício da faculdade, envergonhado de sua roupa surrada. Continuou em ti a sensação de inferioridade (perdoa que te fale assim), o vazio interior, a falta de objetivos maiores. Começas agora a pensar no passado com uma pontinha de saudade, com um pouquinho de remorso. Tens tido crises de consciência, não é mesmo? Pois ainda passarás horas mais amargas e eu chego até a amar o teu sofrimento, porque dele, estou certa, há de nascer o novo Eugênio.



Uma noite me disseste que Deus não existia porque em mais de vinte anos de vida não O pudeste encontrar. 

Pois até nisso se manifesta a magia de Deus. Um ser que existe mas é invisível para uns, mal e mal perceptível para outros e duma nitidez maravilhosa para os que nasceram simples ou adquiriram simplicidade por meio do sofrimento ou duma funda compreensão da vida. Dia virá em que em alguma volta de teu caminho há de encontrar Deus. Um amigo meu, que se dizia ateu, nas noites de tormenta desafiava Deus, gritava para as nuvens, provocando o raio. Deus é tão poderoso que está presente até nos pensamentos dos que dizem não acreditar na sua existência. Nunca encontrei um ateu sereno. Eles se preocupam tanto com Deus como o melhor dos deístas.



 argumento mais fraco que tenho contra o ateísmo é que ele é absolutamente inútil e estéril; 
não constrói nada, não explica nada, não leva a coisa nenhuma.



Se soubesses como tenho confiança em ti, como tenho certeza na tua vitória final...



Deixo-te Anamaria e fico tranqüila. Já estou vendo vocês dois juntos e muito amigos na nova vida, caminhando de mãos dadas. Pensa apenas nisto: há nela muito de mim e principalmente muito de ti. Anamaria parece trazer escrito no rosto o nome do pai. É uma marca de Deus, Genoca, compreende bem isto. Vais contunuar nela: é como se te fosse dado modelar, com o barro de que foste feito, um novo Eugênio.



Quando eu estava ainda em Nova Itália. Li muitas vezes o teu nome ligado ao do teu sogro em grandes negócios, sindicatos, monopólios e não sei mais quê. Estive pensando muito na fúria cega com que os homens se atiram à caça do dinheiro. É essa a causa principal dos dramas, das injustiças, da incompreensão da nossa época. Eles esquecem o que têm de mais humano e sacrificam o que a vida lhes oferece de melhor: as relações de criatura para criatura. De que serve construir arranha-céus se não há mais almas humanas para morar neles?

Quero que abra os olhos, Eugênio, que acorde enquanto é tempo. Peço-te que pegues a minha Bíblia que está na estante de livros, perto do rádio, leias apenas o Sermão da Montanha. Não te será difícil achar, pois a página está marcada com uma tira de papel. Os homens deviam ler e meditar esse trecho, principalmente no ponto em que Jesus nos fala dos lírios do campo que não trabalham nem fiam, e no entanto nem Salomão em toda sua glória jamais se vestiu como um deles.

Está claro que não devemos tomar as parábolas de Cristo ao pé da letra e ficar deitados à espera de que tudo nos caia do céu. É indispensável trabalhar, pois um mundo de criaturas passivas seria também triste e sem beleza. Precisamos, entretanto, dar um sentido humano às nossas construções. E, quando o amor ao dinheiro, ao sucesso nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.

Não penses que estou fazendo o elogio do puro espírito contemplativo e da renúncia, ou que ache que o povo devia viver narcotizado pela esperança da felicidade na “outra vida”. Há na terra um grande trabalho a realizar. É tarefa para seres fortes, para corações corajosos. Não podemos cruzar os braços enquanto os aproveitadores sem escrúpulos engendram os monopólios ambiciosos, as guerras e as intrigas cruéis. Temos de fazer-lhes frente. É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência e sim com as do amor e da persuasão. Considera a vida de Jesus. Ele foi antes de tudo um homem de ação e não um puro contemplativo.

Quando falo em conquista, quero dizer a conquista duma situação decente para todas as criaturas humanas, a conquista da paz digna, através do espírito de cooperação.

E quando falo em aceitar a vida não me refiro à aceitação resignada e passiva de todas as desigualdades, malvadezas, absurdos e misérias do mundo. Refiro-me, sim, à aceitação da luta necessária, do sofrimento que essa luta nos trará, das horas amargas a que ela forçosamente nos há de levar.

Precisamos, portanto, de criaturas de boa vontade. E de homens fortes como esse teu amigo Filipe Lobo, que seria um campeão de nossa causa se orientasse a sua ambição, o seu ímpeto construtor e a sua coragem num sentido social e não apenas egoisticamente pessoal.

Não sei, querido, mas acho que estou febril. Este entusiasmo, portanto, vai por conta da febre.

Ouço agora um ruído. Deve ser a ambulância que vem me buscar. Senti um calafrio e parece que minha coragem teve um pequeno desfalecimento. Estás vendo o tremor de minha letra? É que sou humana, Genoca, profundamente humana, tão humana que te confesso corando um pouco (apesar dos trinta anos e da profissão) que antes de ir para o hospital eu quisera beijar-te muito e muito.

Anamaria fica com D. Frida. Sei que depois, se eu morrer, virás buscá-la para a nova vida.

Reli o que acabo de escrever. Estou fazendo um esforço danado para não chorar. Tolice! Espero que tudo corra bem e que dentro de duas semanas eu esteja queimando esta carta que já agora me parece um pouco melodramática.

Antes que me esqueça: na gaveta da cômoda há um maço de cartas que te escrevi de Nova Itália expressamente para “não te mandar”. Agora pode lê-las todas. Não encontrarás nada do meu passado, do qual nunca te falei e sobre o qual tiveste a delicadeza de não fazer perguntas. É pena. Gostaria que soubesses tudo, que visses como minha vida já foi feia e escura e como lutei e sofri para encontrar a tranqüilidade, a paz de Deus.

Adeus. Sempre aborreci as cartas de romance que terminam de modo patético. Mas permite que eu escreva.

Tua para a eternidade.

Olívia"


"Existem duas espécies de crueldade. A crueldade que se comete por cegueira, por incompreensão, e a crueldade que se comete por prazer. 


De família abastada que se arruinou, Érico Veríssimo era filho do farmacêutico Sebastião Veríssimo da Fonseca (1880-1935) e da dona de casa Abegahy Lopes (dita "dona Bega"). Tinha um irmão mais novo, Ênio (1907), e uma irmã adotiva, Maria.1 Quando tinha quatro anos de idade, Érico Veríssimo ficou gravemente doente e, após ser levado a vários médicos, foi finalmente diagnosticado com meningite complicada com broncopneumonia pelo médico Olinto de Oliveira, cujo tratamento salvou sua vida. Durante sua infância, estudou no Colégio Venâncio Aires, em Cruz Alta, onde foi um aluno comportado e quieto, frequentava o cinema e observava o pai trabalhando. Por volta de 1914, com quase dez anos, Érico criou uma "revista", Caricatura, na qual fazia desenhos e escrevia pequenas notas.

Aos treze anos, Érico já lia autores nacionais, como Aluísio Azevedo e Joaquim Manoel de Macedo, e estrangeiros, como Walter Scott, Émile Zola e Fiódor Dostoiévski. Em 1920, ele foi matriculado no extinto Colégio Cruzeiro do Sul (hoje Colégio IPA), um internato de orientação protestante de Porto Alegre, deixando sua namorada Vânia em Cruz Alta. No novo colégio, Veríssimo foi por muito tempo o primeiro aluno de sua turma, embora tivesse aversão à matemática.1 Em seu último ano letivo, o jovem Érico chegou a sofrer de claustrofobia e de pesadelos.Em dezembro de 1922, terminados os estudos de Veríssimo, seus pais se separaram; as diferenças do casal eram notáveis: Sebastião era um homem gastador e mulherengo e dona Bega, uma mulher econômica e mais reclusa. Érico, sua mãe e seus irmãos passaram então a morar na casa dos avós maternos. Deprimido e endividado, o pai perdeu a propriedade da farmácia. No ano seguinte, Érico empregou-se como balconista no armazém do tio Américo Lopes e, depois, no Banco Nacional do Comércio. Durante esse tempo, transcrevia obras de Euclides da Cunha e de Machado de Assis, dentre outros escritores, e tomou gosto pela música lírica. Também aprofundou mais ainda a leitura de escritores nacionais e estrangeiros.Em 1924, para que o irmão Ênio pudesse frequentar o ginásio, a família mudou-se para a capital gaúcha, mas retornou a Cruz Alta após um ano de extrema dificuldade financeira. Em 1926, Érico se tornou sócio da Farmácia Central, junto com um amigo de seu pai, mas o novo empreendimento faliu em 1930, deixando uma dívida que só conseguiria liquidar dezessete anos depois. Além de farmacêutico, Érico também trabalhou como professor de literatura e língua inglesa à época.

Em 1927, Veríssimo conheceu sua futura esposa, Mafalda Halfen Volpe, então com quinze anos, e os dois ficaram noivos em 1929. Nesse mesmo ano, publicou-se o primeiro texto de Veríssimo: Chico: um Conto de Natal, na revista mensal "Cruz Alta em Revista". Em seguida, seu amigo Manuelito de Ornelas enviou os contos Ladrão de Gado e A Tragédia dum Homem Gordo à revista do Globo. E o jornal Correio do Povo publicou o conto A Lâmpada Mágica.


I Fase: Clarissa (1933); Caminhos cruzados (1935); Música ao longe (1935); Um lugar ao sol (1936); Olhai os lírios do campo (1938); Saga (1940); O resto é silêncio (1943).
II Fase: O tempo e o vento (O continente – O retrato – O arquipélago)(1949-1962); Noite (1954); O senhor embaixador (1967); Incidente em Antares (1971); Solo de clarineta (memórias, 1973).
Além dos Livros acima, Érico Veríssimo escreveu relatos de viagens (Gato preto em campo de neve, México, Israel em abril); biografias (A vida de Joana D´Arc); Contos e Literatura infantil. As Obras do escritor Érico Veríssimo foram traduzidos para diversos idiomas, entre eles o alemão, espanhol, finlandês, francês, holandês, húngaro, indonésio, inglês, italiano, japonês, norueguês, polonês, romeno, russo, sueco e tcheco.
Uma das suas Obras mais conhecidas e apreciadas é o Livro Olhai os Lírios do Campo, que realmente é um romance envolvente, inteligente e com muitas lições e reflexões que todas as pessoas deveriam ler para se tornarem melhores, aumentar seu conhecimento, além de rever muitos conceitos sobre a Vida.


Nesse Livro destacam se o lirismo romântico da história de Eugênio, descobrindo que o dinheiro não traz felicidade, aos moldes do romance urbano de 30, de caráter socialista. Há também as Cartas de Olívia, muito profundas que falam sobre a ganância dos homens, ideias revolucionárias de mudanças individuais e coletivas e uma bela visão da Fé e de Deus são relatadas.



Um Doce Olhar


A Vida Continua (Paulo Kronemberger)

  


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Hoje, de algum lugar longe dessas terras

Há um doce olhar só para você...

Um olhar especial

De alguém especial, de distantes origens

Um olhar de um justo coração que pulsa só a vida...

Que sorri porque ama plenamente

Sem julgamentos, preconceitos nem prisões

Hoje, como ontem, longe desses Céus
Há um encantado olhar só pra você
Nesse olhar vai para você a magia da luz
A simplicidade do perdão
A força para comungar com a vida
A esperança de dias mais radiantes de paz
Hoje, de algum lugar dentro de você,
Alguém que já o amou muito e ainda o ama
Diz para você que valeu a pena ter estado nessas Terras...
Sob estes Céus...
Falando de união, paz, amor e perdão
Poder sentir a força que faz você sorrir
E continuar o caminho
Que um dia aquele doce olhar iniciou pra você
Tudo isso, só para você saber,
que A VIDA CONTINUA...
E A MORTE É UMA VIAGEM.

Paulo Kronemberger