Olhos de Amor....



Abre teus olhos de amor, e contempla
Aquele que permeia todo este mundo!
Observa-o bem, e reconhece teu próprio país.
Quando encontrares o verdadeiro Guru,
Ele despertará teu coração;
Ele te revelará o segredo do amor
e do desprendimento, e então,
sem dúvida nenhuma saberás
que Ele transcende este universo.
Esse mundo é a Cidade da Verdade, o labirinto
de seus caminhos fascina o coração:
Podemos alcançar nosso destino sem jamais
percorrer a estrada, tal é o jogo sem fim.
Onde o círculo de múltiplas alegrias
gira à sua volta continuamente,
aí a Felicidade Eterna engendra lances.
Quando conhecermos isto, estará terminado
todo nosso esperar e recusar.
Então deixará de nos queimar o fogo da cupidez.
Ele é o repouso Último e Infinito:
Ele espalhou as formas de seu amor
pelo mundo inteiro.
Dessa Luz que é Verdade, torrentes
de novas formas emergem perpetuamente;
e Ele permeia essas formas.
Todos os bosques e jardins e alvoredos sobejam
flores, e o ar estala em cascatas de alegria.
Que maravilhosa trama o cisne avança aí!
Os sons da música não tocada turbilhonam
à volta da Infinita Verdade.
Brilha no centro o trono do ilimitado,
onde repousa o grandioso Ser.
Milhares de sóis empalidecem, envergonhados
ante o fulgor de um só pelo de Seu corpo.
Que doces melodias deixa escapar
a harpa do caminho!,
suas notas transpassam o coração:
Aí a fonte eterna combina sem cessar 
os eflúvios vitais do nascimento e da morte.
Como podem chamar Nada àquele que é a Verdade
das verdades?, Àquele no qual 
encontra-se todas as verdades!
Em seu interior, evolui a criação,
e isso está além de qualquer filosofia,
pois filosofia nenhuma pode alcançá-Lo:
Existe um mundo infinito, ó irmão!
e encontra-se aí o Ser Sem Nome,
do qual nada se pode dizer.
Esse mundo é conhecido apenas daquele
que de fato o alcançou:
é diverso de tudo o que já se disse e ouviu.
Lá não se conhece nem forma, nem corpo,
nem extensão: como posso explicar-te o que é?
Trilha o Caminho do Infinito aquele sobre o qual
recaem as graças do Senhor: liberta-se
da vida e da morte aquele que O alcança.
Kabir diz: "Não se traduz em palavras saídas
dos lábios, não se pode escrever em papel:
É como se um mudo provasse uma iguaria:
como poderia explicá-la?
Kabir


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